segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Argoncilhe e Vergada-Duas Freguesias e Vilas

Argoncilhe
e Mozelos
Freguesias e Vilas
Vergada - Cristo Rei da Vergada
Uma Paróquia

MOZELOS.

Freguesia do concelho e comarca da Feira, distrito de Aveiro, diocese. e relação do Porto orago, S. Martinho.

População 2286 habitantes, 455 fogos.

A freguesia de Mozelos, um curato da apresentação do convento da serra do Pilar passou a reitoria.

Foi incluída no foral da Feira (Terra de Santa Maria), dado por D. Manuel em Lisboa, a 10-III-1514.

Esta freguesia é antiquíssima.

Como o prova o seu castro de Sagitela, monte de Seitela, a que hoje chamam Coteiro do Murado, havendo um lugar ainda e urna família assaz numerosa com esse nome de Seitela.

De Mozelos e Seitela nos faia urn documento do 1097 quo diz assim: <

(Dip., n.867).

Em documento de 1155 aparece-nos outra herdade compreendida >: affricum laurosela... subtus monte cuturelo, discurrente riu major, prope castelum sancte Marie>>

(Baio Ferrado, fl. 86, v). (Do Arquivo Distrital de Aveiro, n.ª33, a p. 58)

Por estes documentos parece não haver dúvidas de que a chamada estrada velha do Porto, de que existe aqui um bom troço, partindo da Igreja pelo lado Norte, em direcção a Argoncilhe, é nem mais nem menos que a antiga via militar romana ou estrada mourisca.

Falam desta freguesia as inquiricões de 1250 a que mandou proceder o rei Afonso III.

Foi curato do convento de Grijó, pois que o seu cura era apresentado pelo abade desse convento, passando depois esse direito de apresentação para o abade do convento da Serra do Pilar. Pagava nos celeiros de Guetim o seu tributo a que se dava o nome de Censória ou Votos e que consistia em determinada porçâo de cera, cereais, vinho e numa percentagern dos direitos de funeral, Mortórios.

A Ordem de Malta ou do Hospital, que tinha casa sua em Rio Meão, também aqui possuía hens e foros.

Tem anexada a major parte da antiga freguesia de Santa Maria de Meladas, que foi extinta por fins do sec. xv, devido a uma grande peste e fome que lhe dizimou quase toda a sua populaçâo; ainda hoje existe no lugar de Meladas uma pequenina capela comemorativa da antiga Igreja paroquial que ali houve, e que tinha como passal a actual Quinta de Meladas, que pertence a família Van Zeller.

Mozelos em 1527 tinha uns 35 vizinhos;

em 1623, segundo o Catálogo dos Bispos do Porto, de D. Rodrigo da Cunha, tinha 168 pessoas de comunhâo e 44 menores; rendia cem mil réis e era então curado dos padres agostinhos do mosteiro da Serra do Pilar.

A freguesia de Mozelos possui uma relíquia única no género no nosso país: o pinheiro das hoje propriedade nacional, embora existente numa quinta particular, que foi testemunha ocular da tragédia do Picôto.

0 pinheiro das <>, árvore secular, mas ainda com bastante vida assistiu à matança de sete Portugueses, praticada pelos franceses, a quando da segunda invasão francesa, em 1809.

Ali junto dele, foram fuzilados sete Portugueses inocentes (no dia de N. S. da Hora), entre estes os Sás de Anta; padre João de Sá Rocha e seu irmão Manuel de Sá Rocha, mortos na presença da mãe.

Nas rameiras deste histórico pinheiro foram pendurados os cadáveres das vítimas, ficando durante algum tempo ali expostos ao público a atestar a sanha dos invasores franceses.

A freguesia de Mozelos pela sua posicão topográfica é hoje sem dúvida uma das mais lindas freguesias do concelho da Feira.

Compreende os lugares de: Casal, Corga, Coteiro, Ermilhe, Fundão, Gêsto, Goda, Igreja, Mal pica, Meladas, Mozelos, Murado, Outeiro do Moinho. Picoto, Prime, Quebrada, Quintâ, Rapigo, Regadas, Rio, Seitela, Serradinha, Sobral, Talegre, Vergada e Vilas.

(Enciclopédia Luso-Brasileira)

MOZELOS.

Freguesia com 3483 habitamtes com 751 fogos (1970)

do concelho e comarca da Feira, distrito de Aveiro e diocese do Porto.

Dista 13 km da sede do concelho e 50 da sede do Distrito.

Orago: S. Martinho.

Surge num documento de 1097 com o nome de Moazellus.

Por ela passava a antiga via militar romana que unia Coimbra ao Porto e a Braga.

Mozelos foi incluída no foral manuelino de 10.2.1514, concedido à Feira (terra de Santa Maria), passando mais tarde a reitoria.

(Enciclopédia Verbo).

Freguesia situada em terreno 1evemente acidentado, bonita, rica e fértil em todos os géneros do nosso clima.

Cria muito gado bovino que exporta para a Grã -Bretanha, em grande quantidade.

Exporta para a cidade do Porto muitos cereais e frutas e bastante madeira.

No Murado se faz uma grande feira (feira de Santa Catarina) nos dias 25 de cada mês. Neste lugar existe um solar dum ramo dos Vasconcelos. Para a sua genealogia e armas ver Castelo Melhor, Mafra e Penela.

(Portugal Antigo e Moderno, 1875, de Pinho Leal).

Mozelos

Fixa a situação da freguesia o mono que nos documentos medievais é designado por Seitela e comummente e nas cartas geográficas por Murado (cota 225 m.) e ainda por monte do Coteiro, povoação ao lado. Trata-se dum cabeço destacado que se orienta de nascente a poente, despegando-se da linha geral de alturas, onde corre a estrada tradicional, em cujo colo de ligação assenta a igreja. Outrora, quando ainda não havia o revestimento de pinhal, ele tornava-se bem visível e era natural que servisse de ponto de referência.

No ano de 1097, em carta de venda entre particulares duma herdade diz-se: in vila dicta Moazelus... subtus monte Saitella discurrente strata ad portum Asinarium, rivulo

Maior.

E em outro de 1098: in villa Moazelos in loco Primi... et fer ipsa larea in ipso rivulo qui venit de Laurusela subtus monte Saitela discurrente rivulo Prime.

Rio Maior e rio Prime são os dois braços iniciais do Rio Maior que vai a Paramos e cai na barrinha de Esmoriz, aquele do lado de Mozelos, este de Prime e Lourizela.

Seitela é um lugar junta ao morro; no próprio adro, fora do cemitério mas encostado ao mesmo, vimos uma estela fúnebre comemorando diversos militares do fim do séc. XVIII e do XIX da casa de Seitela.

No cartulário > de Grijó há vários documentos referidos a Mozelos.

No cabeço nada se apresenta à vista que possa justificar a denominação de Murado como sítio arqueológico.

IGREJA PAROQUIAL — Padroeiro, S. Martinho,

Vasta, relativamente ao tipo paroquial. Reconstruíram-na na segunda metade do século passado, e em 1920 substituíram-lhe a capela-mor. 0 edifício anterior estava em nível bastante mais baixo, a sul, na mesma direcção, entre a actual estrada e uma rua inferior.

Conservaram na fachada o aspecto regional, do gosto setecentista austero, com a torre à esquerda. Externamente o corpo é de portas travessas e de janelas simples.

No arco-cruzeiro interpretaram a disposição de altas pilastras a enquadrar o vão, completada do habitual remate.

O respectivo entablamento corre nas paredes colaterais, corno cimalha de pedra.

Há arcos retabulares, pequenos, cavados nas paredes dos flancos.

São dois os púlpitos no gosto comum.

O coro-alto, como nos tipos equivalentes, apoia-se em largo arco frontal, de cantaria, em forma de asa-de-cesto.

Todos os retábulos são posteriores a reconstrução: dois colaterais ao arco-cruzeiro, mais dois nos arcos dos flancos, os quais seguem os tipos tradicionais, o principal que já é deste século, havendo ainda outros dois mais modestos, abaixo das portas travessas.

Esculturas modernas e algumas antigas; estas sem interesse especial para o fim deste trabalho.

Lambris de azulejos de série.

CAPELA E PINHEIRO DAS SETE CRUZES

Dedicada aos mortos pela Pátria na última invasão francesa, a 11 de Maio de 1809.

Uma das muitas guerrilhas, organizadas por iniciativa particular para hostilizarem o inimigo, foi chefiada aqui por um homem que, infelizmente, só tem sido conhecido pelo epíteto de Catafula, residente na próxima povoação de 0livães. Num assalto, matou três soldados franceses. Preso com outros, considerados cúmplices, desejou confessar-se, para o que foi chamado Pe. João de Sá da Rocha. O comando da forca do invasor quis levar este a revelar a confissão, na esperança de vir a conhecer os nomes de todos os cúmplices, ao que ele dignamente se recusou. O nobilíssirno sacerdote foi fuzilado conjuntamente com aqueles e, como eles, suspenso do pinheiro. Seu irmão Manuel, morto pelos mesmos no sítio das Barrancas, foi arrastado para aqui. No pinheiro cravaram mais tarde cruzes comemorativas. Uma sobrinha, como abaixo se diz, mandou erguer o oratório.

A capela encontra-se na estrada nacional (E.N. 1) do lado do poente. O pinheiro estava desviado uns cinquenta metros para o norte, segundo homem da região nos indicou; caiu com o temporal a 7 de Novembro de 1954.

A capela é do tipo das de certas regionais de alminhas, pequena, a porta rectangular, datada de 1865, com os cunhais tratados, bem como a linha da empena.

O topo interno é cheio na parte baixa por maciço a semelhar mesa de altar, e em cima por painel pintado à maneira popular. Vê-se, no alto deste, Cristo-crucificado; à esquerda a parte religiosa tradicional, com St.° António e abaixo a Senhora do Carmo e as Almas do Purgatório; à direita e em cima o sacerdote a conversar ou a confessar os quatro outros, a seu lado o pinheiro donde pendem os enforcados, na parte inferior a cena do fuzilamento.

Na parte da mesa lê-se: Aqui foram mortos pelos franceses a 11 de Maio de 1811 (sic), o Rev. P. João de Sá da Rocha e seu irmão Manuel e outros / nascidos no lugar de Esmojães, freguesia de Anta.

Abaixo e ao lado direito: Por gratidão de sua / sobrinha Francisca Alves de Sá de Oliveira / do lugar da Idanha / freguesia d’Anta.

Ao outro, os versos ingénuos:

Vós que tendes sentimentos

Lembrai-vos dos nossos tormentos!

Vós que aqui passais

Lembrai-vos de nós cada vez mais!

Se estas palavras foram escritas com a intenção do pedido usual de preces, sejam hoje o duma grata e comovida lembrança por aqueles que, em seus limitados recursos, procuraram vingar a Pátria e deixar nobre exemplo de firmeza moral e indefectível vontade de a continuar livre e senhora do seus destinos.

Tão alto é o significado desta modesta capela que deveria ser isolada, tratada a sua envolvência, assinalado o seu sitio a quem passe.

No sítio das Barrancas, no antigo trajecto da estrada, hoje levemente afastada pela posterior rectificação já no concelho de Gaia, uma outra mais modesta comemora Manuel Rocha. No interior o quadro do tipo tradicional; sobre a porta uma lápide de mármore, mais recente, diz: BAR RANCAS / 11 de Maio de 1809 /

Manuel de Sá Rocha fuzilado

pelos franceses, a vista de sua Mãe

Esta cai também morta de dor

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso.

QUINTA DAS MELADAS — Representa um antigo vínculo quo nos últimos tempos era indicado como dos Vasconcelos. Passou a posse da família Ferreira Amorim. Na entrada, o portão moderno e a sua direita, a capela tradicional. Dentro, o largo pátio com a casa de vãos rectangulares e ainda as secções agrícolas, ocupando o centro um velho carvalho que o ensombra.

A capela de tipo seiscentista, dedicada a Nossa Senhora do Pilar, é pequena e baixa, corno era usual nas antigas casas. Tratada na frente por meio do pilastras nos cunhais, porta de cornija, linhas rectas na empena. Porta lateral para o pátio. Retábulo do madeira dourada, dos fins do séc. XVII, do tipo plano, quatro colunas torcidas e só de parras, com pequeno remate. A escultura da titular, pequena, data do século seguinte.

CRUZEIRO — No extremo do terreiro da igreja. Deve ter sido deslocado de outro ponto. Poderá ser ainda do sec. XVII, posto que o seu tipo se prolongue nos primeiros anos do seguinte. Grande, de braços rectangulares, faces percorridas de almofadados bem marcados, pedestal decorado de motivos simples.

BIBL. — Port. Mon. Hist. — Dipl. et Chart., Lisb., 1867.

DURAND, Robert — Le cartulaire Baio-Ferrado de Grifó.

Fund. Cal. Gulb., Paris, 1971.

INVENTARIO ARTISTICO DE PORTUGAL

Academia Nacional de Belas-Artes

Lx 1981

AVEIRO X

Tirado do Livro

MOZELOS EM FOCO E…….

Joaquim Sousa Rios

Fernando Santos

Américo Cardoso

João Ferreira do Espírito Santo

Pároco : António de Oliveira Maia

O presidente da Junta: José Ferreira Coimbra

O Regedor: Américo Cardoso


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