sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Jornadas de Teologia na Universidade Católica do Porto de 6 a 9 de Fevereiro


Tiveram lugar na Universidade Católica do Porto de 6 a 9 de Fevereiro 
As Jornadas de Teologia sobre a temática “ Nova Evangelização: Desígnio Humano 
de Expansão ou Partilha do Dom Inestimável de Deus”
Uma excelente iniciativa de temas actuais e pertinentes.
Feita a abertura com a Presidência Sua Excelência Reverendíssimo D. António Bessa Taipa, 
Bispo Auxiliar do Porto, e o Senhor Presidenta da UC P Professor Doutor Joaquim Azevedo, 
no primeiro dia, 6 de Fevereiro, seguiram-se as Conferências   
de D. José Cordeiro: “ O Lugar da Liturgia na Nova Evangelização” 
e do Doutor Arnaldo de Pinho: “ Evangelizar: O Dom e a Tarefa” na parte de manhã 
e Do Doutor João Duque: “ O Futuro do Catolicismo, segundo J.L. Marion"
e do Doutor José Lopes Baptista: “ O Movimento dos Cursilhos de Cristandade: Uma Forma de Evangelização. 
Como Moderadores  de manhã Doutor José Calos Carvalho 
e de tarde Doutor Abel Canavarro.
No segundo dia, 7 de Fevereiro, prosseguiram as Jornadas 
com as Conferências de D. Adolfo González Montes: “ A Nova Evangelização da Europa: Que Sentido? E “ Que Igreja Para a Nova Evangelização?” 
e de tarde com o Doutor Abel Canavarro:” Nova Evangelização e Novas Espiritualidades 
e do Doutor José Macedo: “ Há lugar para a Acção Católica na Nova Evangelização?”
Como Moderadores Doutor Arnaldo Cardoso de Pinho de manhã e Doutora Manuela Brito Martins.
No terceiro dia, 8 de Fevereiro, D. António Couto” Missão e Nova Evangelização” 
e do Doutor Arlindo Magalhães: “Implicações Pastorais na Nova Evangelização” de manhã 
e Doutor José Acácio de Castro. “ O Homem e as Coisas que Modificaram a Percepção do Mundo “ 
e Doutor Jorge Cunha: Dificuldade do Cristianismo Com a Cultura e a Ética de Hoje”
Como Moderadores de manhã Doutor Adélio Abreu 
e de tarde Doutor António Augusto de Azevedo.
No quarto e último dia, 9 de Fevereiro, Encerramento 
com Sua Excelência Reverendíssima 
o Senhor Bispo D. Manuel Clemente: “ Evangelização e Missão: o Caso da Diocese do Porto”. 
Com finalização da Eucaristia concelebrada e participada.
Como Moderador Doutor Jorge Cunha.
Em cinco pontos referiu Sua Excelência Reverendíssima  
1- Em constatação a situação da Diocese de há cinco anos a esta parte.
O tempo em que está à frente da mesma.
Na Diocese faleceram 12 sacerdotes em cada ano. Cerca de 60 falecidos.
Foram ordenados 9 Presbíteros
e cerca de 100 Diáconos Permanentes.
A sensação de se ser “pusillus grex” pequeno rebanho.
Mil praticantes em Paróquias de dezenas de milhar de habitantes…
Há débitos, mas também há créditos.
O confronto das duas pastorais de Manutenção e de Fermentação.
Manutenção que em alguns casos é insustentável,
como por exemplo exigir e reivindicar  lugares de cultos e capelas.
2 – Uma Pastoral de Fermentação, de Fermento.
Novos dados e iniciativas.
A festa do Corpo de Deus no passado e no presente.
O Natal.
A sobrevivência do Meninos Jesus ( estandarte do Natal) em detrimento do Pai Natal da Coca Cola.
O lugar comum do Tríduo Pascal que perpassa para iniciativas da Juventude, famílias e Retiros!
3 – A religiosidade popular tão arreigada no povo e na sua mentalidade onde se manifesta a ligação ao passado, à história e ao culto dos mortos.
A presença indeclinável na vida das pessoas do tríptico:
A terra,
o sangue
e os seus  mortos.
4 – O próximo Sínodo dos Bispos irá versar o tema do Anúncio, da Fé, da Crença.
5 – A nova Evangelização sempre presente nos documentos Pontifícios e agora na circunstância  da  Comemoração dos 50 anos do Concílio Vaticano II:
Evangellii Nuntiandi,
Christifideles Laici,
1ª Epístola de S. João Evangelista, 
bem como o Ano da Fé anunciado pelo actual Papa Bento XVI.
Tudo indício de novos tempos, novas eras e início de Novo Ardor e ardores.
Parabéns à organização das Jornadas.
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1. Quando há cinco anos saudei a Diocese, disse que a primeira alínea do meu programa era precisamente “conhecê-la”
. Começo por confessar que, apesar de constantes visitas, contactos e conversas, ainda estou longe de o conseguir e duvido que alguma vez o consiga plenamente, tão densa ela é de pessoas, instituições e iniciativas, constituindo, aliás, uma realidade dinâmica e movediça.
Basta referir que, só no respeitante ao clero, falecendo cerca de doze padres em cada ano, ordenei apenas nove em todo este lustro, e meia centena de diáconos… Concomitantemente, aumentou a participação do clero religioso e de outras dioceses no nosso serviço paroquial. Houve também variação significativa nos institutos religiosos e seculares, com mudanças de pessoas e desactivações comunitárias. Nas comunidades cristãs, sentem-se, aqui e ali, dificuldades no tocante ao número e à preparação de leigos para os vários sectores, da catequese ao sócio-caritativo.

Apesar de tudo, é ainda expressiva a presença de católicos no mundo das IPSS e em várias organizações de todo o tipo da sociedade civil. Seja como for, a sensação – para não dizer a evidência - é de “pequeno rebanho”, sobretudo em meios urbanos e suburbanos: - Que significam mil ou dois mil “praticantes” habituais em freguesias de dezenas de milhares de habitantes? Pode significar muito, se atendermos à convicção reforçada que precisam de ter e à rarefação comunitária que caracteriza em geral o nosso tempo. Mas contraria qualquer autodefinição “cristã” ou “católica” que, como sociedade, pretendêssemos manter…
Direi, em suma, que temos débitos, mas também créditos, para passarmos duma pastoral de “manutenção” para o que mais urge agora como “fermentação” evangélica duma sociedade diferente, que está irremediavelmente aí – para não dizer “aqui” -, como mentalidade e cultura, dentro dos nossos próprios meios, famílias e instituições, mais ou menos confessionais e confessantes. Assim estamos, entre o passado e o futuro, como em qualquer tempo acontece, mas agora mais depressa e com maior exigência - para os que ficamos e para os que, apesar de tudo, esperam por nós.
2. Disse “fermentação evangélica” e cada vez me convenço mais que é precisamente disso que se trata. Fermento na massa, minúscula semente a germinar num campo largo, pequeno rebanho por aqui e ali… Estas imagens evangélicas são novamente as mais adequadas para nos definirem como cristãos no mundo e para o mundo.
Estamos já tão longe de alegadas coincidências Igreja – sociedade, como longe se encontra agora, por exemplo, a solenidade do Corpo de Deus de representar a incorporação da sociedade na Igreja, que noutros tempos significaria… Por si mesma, tal solenidade e procissão, não permitiria espectadores, mas só figurantes. Nalguns sítios, ainda poderá ser quase assim, mais ou menos. Mas, em geral, temos de a celebrar hoje como profecia do que o mundo há-de ser, quando, de facto, o Corpo de Cristo, eucaristicamente acolhido, se tornar em nós e para o mundo, no seu corpo eclesial também. Sem triunfo e como oferta.
E o mesmo se diga do Natal, redescobrindo nas nossas comunidades e famílias a familiaridade que Deus quis ter connosco naquele “Menino que nos foi dado”, presente insubstituível, até na era que iniciou e não tem propriamente um “depois de “. Ou da Páscoa, anual, semanal e de todos os dias e circunstâncias, substância única de Cristo e dos cristãos, redescoberta como tríduo incessante e passagem obrigatória “do mundo para o Pai”, ou seja, duma vida securitária e egocêntrica para uma existência de fé e caridade, só possível no Espírito de Cristo.
Quando há cinquenta nos o Concílio Vaticano II nos definiu como Igreja, foi assim que o quis fazer, em relação profética com o mundo, só possível mantendo a identidade específica que tanto contrasta como convida, e contrasta para convidar. Oiçamo-lo: “… a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano” (Lumen Gentium cum sit Christus, nº 1).
Isto somos essencialmente, nisto mesmo nos havemos de tornar, no Porto ou alhures. É este precisamente o escopo da “nova evangelização”, protagonizada por comunidades cristãs que se redefinam como “corpo eclesial de Cristo”, profecias vivas do que o mundo há-de ser. Convertidas, definidas e autênticas, para que o mundo as aperceba como diferença oferecida. Sem privilégio, porque graças são encargos.
3. Cabe aqui uma breve nota sobre a religiosidade popular, de intensa expressão na Diocese do Porto. Como acontece em geral, ela tem o mérito de exprimir a humanidade ancestral que compartilhamos todos, em torno de sentimentos básicos e não menosprezáveis. Fixa-nos ou devolve-nos à terra, a “nossa” terra; recupera-nos os mortos, os “nossos” mortos; e liga-nos aos nossos actuais, do “nosso” sangue. Sentimentos básicos que todas as religiões encobrem, antes e depois de qualquer inculturação que seja. Também por isso somos uma humanidade só, em qualquer parte dos cinco continentes e em qualquer estádio de civilização. Porque nos ligam e religam, tais sentimentos, unindo o aquém e o além, constituem uma “religiosidade”; porque são prévios e comuns, ganham a nota de “popular”.
Os Evangelhos estão cheios destes indícios, sendo difícil perceber Jesus e os que o procuravam fora da religiosidade popular judaica ou pagã daquele tempo. Ele mesmo chorou sobre Jerusalém ou pelo seu amigo Lázaro e manteve parentes e amigos. Mas em tudo sobrelevou a sua condição filial em relação a Deus Pai - o Pai que partilhou connosco -, que se exprime com o termo “piedade”, por isso mesmo libertadora dos laços atávicos da mera religiosidade, sobremaneira particularista. À samaritana disse que se pode adorar em Deus em qualquer lado, desde que em espírito e verdade; a quem chama ao discipulado diz para deixar os mortos enterrarem os seus mortos; e aos próprios parentes apontará os seus ouvintes como a nova família dos filhos de Deus.
Interna e externamente este é um importantíssimo desafio da “nova evangelização” na Diocese do Porto. Qualquer responsável pastoral constatará como grande parte dos pedidos – ou reclamações – que lhe chegam tem a ver com manifestações de religiosidade popular, no sentido de manter tradições familiares ou locais. Também concluirá tratar-se de algo merecedor de consideração e respeito, por manifestar afinal o próprio ser humano nos seus dinamismos mais espontâneos. Como pode ser – e nalguns casos é, de facto, – um factor importante de reunião e solidariedade de populações hoje tão dispersas. Mas é preciso evangelizar a religiosidade, para a converter em piedade; e fazê-lo como Jesus fazia, pregando a Palavra que nos congrega em Igreja. Conheço casos em que muito se conseguiu incluindo a oração e a meditação de trechos evangélicos nas reuniões de preparação de festas de padroeiros.
Quando há uns três anos os nossos Secretariados Diocesanos lançaram conjuntamente a Missão 2010, fixaram-se nisso mesmo, ou seja, na potenciação evangélica dalgumas manifestações mais comuns da religiosidade e piedade populares. Por isso se cantaram Janeiras por todo o lado, nalguns casos mais e noutros ainda melhor, na comunicação mais explícita da alegria do “Deus connosco”. E o mesmo depois, em torno das tradições quaresmais ou pascais, marianas ou dos santos e defuntos. Constato com agrado que em muitos lados continuam, com igual preocupação evangelizadora. E, especialmente, que tal envolve aqui e ali a própria comunidade cristã, tornada ela mesma o suporte vivo duma missão permanente.
Falando em missão, reparo também que o dinamismo missionário vai crescendo, chegando a ligar missões internas com externas, paróquias havendo onde se torna habitual a participação dalguns dos seus membros em ações de evangelização e voluntariado em África ou noutras partes, num vai-vem que a facilidade actual de comunicações permite e “treina” para o que temos de fazer aqui. A missão é só uma e nasce em corações missionários, como hoje só podemos ser.
4. É com estas e outras experiências e reflexões, intensamente compartilhadas no dia a dia desta Diocese, que nos preparamos com a Igreja em geral para a próxima assembleia do Sínodo dos Bispos, que versará precisamente o tema da “nova evangelização”. Aliás, a experiência e a avaliação da nossa Missão 2010 estiveram já presentes – com outras similares de diversas proveniências – no processo de reflexão que a Conferência Episcopal Portuguesa tem levado por diante em idêntico sentido.
Estamos, ainda e sempre, em plena recepção do que o Concílio Vaticano II nos ofereceu há meio século. Costumamos referir a notável exortação apostólica pós-sinodal de Paulo VI Evangelii nuntiandi (1975) como grande marco para a “nova evangelização”, ainda que o termo seja mais próprio do pontificado de João Paulo II. Mas não esqueçamos que era já essa a preocupação de João XXIII, para que a Igreja progredisse francamente numa relação mais evangelizadora com um mundo que, apesar de tudo, a esperava, sendo esse o grande “sinal dos tempos”, a que era urgente corresponder.
São de João XXIII estas palavras, no encerramento da primeira sessão do Concílio, em Dezembro de 1962: “Será verdadeiramente o ‘novo Pentecostes’, que fará florescer a Igreja nas suas riquezas interiores e na sua atenção materna a todos os campos da actividade humana; será novo passo em frente, do reino de Cristo no mundo, reafirmação cada vez mais alta e persuasiva da alegre boa nova da Redenção, anúncio luminoso da soberania de Deus, da fraternidade humana na caridade, da paz prometida na terra aos homens de boa vontade, em correspondência ao beneplácito celeste”.
Reparámos certamente na “novidade” da evangelização, alegre e persuasiva: isso mesmo que, duas décadas depois, João Paulo II transformará em quase fórmula da “nova evangelização”, como todos sabemos de cor e devemos saber de prática, no Porto ou onde for: “nova no ardor, nova nos métodos e nova nas expressões”. E é significativo que se inclua numa exortação apostólica pós-sinodal sobre a África – mas com incidência universal - uma das últimas definições do tema: “A obra premente da evangelização realiza-se de maneira diversificada segundo a situação específica de cada país. Em sentido próprio, temos a missio ad gentes dirigida àqueles que não conhecem Cristo. Em sentido lato, fala-se de ‘evangelização’ para referir o aspecto ordinário da pastoral, e de ‘nova evangelização’ para a pastoral com aqueles que abandonaram a praxis cristã” (Africae Munus, nº 160).
Não é difícil concluir que, na Diocese do Porto, de tudo isto precisamos hoje. A maior parte do trabalho pastoral faz-se ainda portas adentro das comunidades, muito requisitado pelas necessidades imediatas do acompanhamento, doutrinação e vida sacramental dos crentes em todo o arco da existência humana, bem como pela correspondência às solicitações da religiosidade e da piedade popular, ou às muitas solicitações do sector sócio-caritativo, tão prementes na actual situação do país. Mas há também casos de missio ad gentes, pois alastra o desconhecimento real de Cristo, mesmo em quem já lhe ouviu o nome. E urge a “nova evangelização” de quem abandonou a praxis cristã, ou não foi nela verdadeiramente iniciado, ou dela está parcialmente privado por situação pessoal irregular, em especial no que ao matrimónio respeita. E temos de convir que, sendo notáveis os esforços de muitos pastores e seus colaboradores no campo da evangelização habitual e comunitária, são crescentes entre nós as necessidades de missio ad gentes e de “nova evangelização”, para que a todos cheguem o anúncio de Cristo vivo e/ou a participação possível e sempre desejável na vida do seu corpo eclesial.
5. Quero ainda encerrar estas breves considerações sobre o tema, com aquela que me parece – ainda hoje – a alusão mais operativa e finalizada à “nova evangelização” nos documentos pontifícios. Vou buscá-la à exortação apostólica pós-sinodal Christifideles Laici, de João Paulo II. É de 1988 e diz assim, no nº 34, entre outras coisas igualmente interessantes, que todas juntas nos oferecem um programa tão completo como sempre por cumprir: “Esta nova evangelização, dirigida não apenas aos indivíduos mas a inteiras faixas de população, nas suas diversas situações, ambientes e culturas, tem por fim formar comunidades eclesiais maduras, onde a fé desabroche e realize todo o seu significado originário de adesão à pessoa de Cristo e ao seu Evangelho, de encontro e de comunhão sacramental com Ele, de existência vivida na caridade e no serviço”.
Uma palavra ainda: Ter-se-á notado que não me detive em considerações mais “culturais”, inegavelmente importantes. É certo que a “nova evangelização” tem também esse nível e incidência, não deixando de lhes corresponder algumas iniciativas levadas a cabo, designadamente, por esta Universidade Católica, os Secretariados Diocesanos da Pastoral da Cultura ou Universitária, a Associação Católica do Porto (ciclos Ecce Homo), etc. Mas estou absolutamente em crer que a comunidade cristã - toda a comunidade cristã – há-de ser o sujeito colectivo em que a vida do Ressuscitado se compartilhe e donde brote o testemunho que a todos convidará também.
Digamos que é um culto que redunda em cultura e cultura que dele necessariamente se alimenta, para ser propriamente “cristã”. Não esqueçamos, a propósito, que a primeira evangelização da Europa conseguiu o fulgor cultural da Patrística em profunda ligação à experiência comunitária da generalidade dos seus protagonistas: de Ireneu a Ambrósio, de Cipriano a Agostinho, dos Capadócios a Crisóstomo ou Leão, todos se ligavam a comunidades episcopais ou monásticas, onde o culto se fez cultura.
É a vida de Cristo que irradia, partilhada no mundo pelos que realmente, isto é, comunitariamente a descobrem. Valham por muitos estes versículos de ouro, todos no plural comunitário: “O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida, […] o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós estejais em comunhão connosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemo-vos isto para que a nossa alegria seja completa” (1 Jo 1, 1-4).
Assim numa comunidade joânica do século I, assim no Porto em 2012.
Manuel Clemente
Universidade Católica Portuguesa – Porto, Jornadas de Teologia,
9 de Fevereiro de 2012
Do site: http://www.diocese-porto.pt

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano B
A liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos um Deus cheio de amor, de bondade e de ternura, que convida todos os homens e todas as mulheres a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. Ele não exclui ninguém nem aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos.
 A primeira leitura apresenta-nos a legislação que definia a forma de tratar com os leprosos. Impressiona como, a partir de uma imagem deturpada de Deus, os homens são capazes de inventar mecanismos de discriminação e de rejeição em nome de Deus.


O Evangelho diz-nos que, em Jesus, Deus desce ao encontro dos seus filhos vítimas da rejeição e da exclusão, compadece-Se da sua miséria, estende-lhes a mão com amor, liberta-os dos seus sofrimentos, convida-os a integrar a comunidade do “Reino”. Deus não pactua com a discriminação e denuncia como contrários aos seus projectos todos os mecanismos de opressão dos irmãos.


A segunda leitura convida os cristãos a terem como prioridade a glória de Deus e o serviço dos irmãos. O exemplo supremo deve ser o de Cristo, que viveu na obediência incondicional aos projectos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao serviço da libertação dos homens.

LEITURA I – Lev 13,1-2.44-46
Leitura do Livro do Levítico

O Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo:
«Quando um homem tiver na sua pele
algum tumor, impigem ou mancha esbranquiçada,
que possa transformar-se em chaga de lepra,
devem levá-lo ao sacerdote Aarão
ou a algum dos sacerdotes, seus filhos.
O leproso com a doença declarada
usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho,
cobrirá o rosto até ao bigode e gritará:
‘Impuro, impuro!’
Todo o tempo que lhe durar a lepra,
deve considerar-se impuro
e, sendo impuro, deverá morar à parte,
fora do acampamento».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 31 (32)

Refrão: Sois o meu refúgio, Senhor;
dai-me a alegria da vossa salvação.

Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa
e absolvido o pecado.
Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade
e em cujo espírito não há engano.

Confessei-vos o meu pecado
e não escondi a minha culpa.
Disse: Vou confessar ao Senhor a minha falta
e logo me perdoastes a culpa do pecado.

Vós sois o meu refúgio, defendei-me dos perigos,
fazei que à minha volta só haja hinos de vitória.
Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor,
exultai, vós todos os que sois rectos de coração.


LEITURA II – 1 Cor 10,31-11,1

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer coisa,
fazei tudo para glória de Deus.
Portai-vos de modo que não deis escândalo
nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus.
Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente,
não buscando o próprio interesse, mas o de todos,
para que possam salvar-se.
Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.


ALELUIA – Lc 7,16

Aleluia. Aleluia.

Apareceu entre nós um grande profeta:
Deus visitou o seu povo.

EVANGELHO – Mc 1,40-45

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
veio ter com Jesus um leproso.
Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe:
«Se quiseres, podes curar-me».
Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse:
«Quero: fica limpo».
No mesmo instante o deixou a lepra
e ele ficou limpo.
Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem:
«Não digas nada a ninguém,
mas vai mostrar-te ao sacerdote
e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou,
para lhes servir de testemunho».
Ele, porém, logo que partiu,
começou a apregoar e a divulgar o que acontecera,
e assim, Jesus já não podia entrar abertamente
em nenhuma cidade.
Ficava fora, em lugares desertos,
e vinham ter com Ele de toda a parte.







sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

5º Domingo do Tempo Comum – Ano B

5º Domingo do Tempo Comum – Ano B
Que sentido têm o sofrimento e a dor que acompanham a caminhada do homem pela terra? Qual a “posição” de Deus face aos dramas que marcam a nossa existência? A liturgia do 5º Domingo do Tempo Comum reflecte sobre estas questões fundamentais. Garante-nos que o projecto de Deus para o homem não é um projecto de morte, mas é um projecto de vida verdadeira, de felicidade sem fim.
Na primeira leitura, um crente chamado Job comenta, com amargura e desilusão, o facto de a sua vida estar marcada por um sofrimento atroz e de Deus parecer ausente e indiferente face ao desespero em que a sua existência decorre… Apesar disso, é a Deus que Job se dirige, pois sabe que Deus é a sua única esperança e que fora d’Ele não há possibilidade de salvação.
No Evangelho manifesta-se a eterna preocupação de Deus com a felicidade dos seus filhos. Na acção libertadora de Jesus em favor dos homens, começa a manifestar-se esse mundo novo sem sofrimento, sem opressão, sem exclusão que Deus sonhou para os homens. O texto sugere, ainda, que a acção de Jesus tem de ser continuada pelos seus discípulos.
A segunda leitura sublinha, especialmente, a obrigação que os discípulos de Jesus assumiram no sentido de testemunhar diante de todos os homens a proposta libertadora de Jesus. Na sua acção e no seu testemunho, os discípulos de Jesus não podem ser guiados por interesses pessoais, mas sim pelo amor a Deus, ao Evangelho e aos irmãos.


LEITURA I – Job 7,1-4.6-7

Leitura do Livro de Job

Job tomou a palavra, dizendo:
«Não vive o homem sobre a terra como um soldado?
Não são os seus dias como os de um mercenário?
Como o escravo que suspira pela sombra
e o trabalhador que espera pelo seu salário,
assim eu recebi em herança meses de desilusão
e couberam-me em sorte noites de amargura.
Se me deito, digo: ‘Quando é que me levanto?’
Se me levanto: ‘Quando chegará a noite?’
E agito-me angustiado até ao crepúsculo.
Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear
e desvanecem-se sem esperança.
– Recordai-Vos que a minha vida não passa de um sopro
e que os meus olhos nunca mais verão a felicidade».



SALMO RESPONSORIAL – Salmo 146 (147)

Refrão: Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.

Louvai o Senhor, porque é bom cantar,
é agradável e justo celebrar o seu louvor.
O Senhor edificou Jerusalém,
congregou os dispersos de Israel.

Sarou os corações dilacerados
e ligou as suas feridas.
Fixou o número das estrelas
e deu a cada uma o seu nome.

Grande é o nosso Deus e todo-poderoso,
é sem limites a sua sabedoria.
O Senhor conforta os humildes
e abate os ímpios até ao chão.


LEITURA II – 1 Cor 9,16-19.22-23

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória,
é uma obrigação que me foi imposta.
Ai de mim se não anunciar o Evangelho!
Se o fizesse por minha iniciativa,
teria direito a recompensa.
Mas, como não o faço por minha iniciativa,
desempenho apenas um cargo que me está confiado.
Em que consiste, então, a minha recompensa?
Em anunciar gratuitamente o Evangelho,
sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere.
Livre como sou em relação a todos,
de todos me fiz escravo,
para ganhar o maior número possível.
Com os fracos tornei-me fraco,
a fim de ganhar os fracos.
Fiz-me tudo para todos,
a fim de ganhar alguns a todo o custo.
E tudo faço por causa do Evangelho,
para me tornar participante dos seus bens.


ALELUIA – Mt 8,17

Aleluia. Aleluia.

Cristo suportou as nossas enfermidades
e tomou sobre Si as nossas dores.


EVANGELHO – Mc 1,29-39

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus saiu da sinagoga
e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André.
A sogra de Simão estava de cama com febre
e logo Lhe falaram dela.
Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a.
A febre deixou-a e ela começou a servi-los.
Ao cair da tarde, já depois do sol-posto,
trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos
e a cidade inteira ficou reunida diante da porta.
Jesus curou muitas pessoas,
que eram atormentadas por várias doenças,
e expulsou muitos demónios.
Mas não deixava que os demónios falassem,
porque sabiam qual Ele era.
De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu.
Retirou-Se para um sítio ermo
e aí começou a orar.
Simão e os companheiros foram à procura d’Ele
e, quando O encontraram, disseram-Lhe:
«Todos Te procuram».
Ele respondeu-lhes:
«Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas,
a fim de pregar aí também,
porque foi para isso que Eu vim».
E foi por toda a Galileia,
pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.