sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tema do 24º Domingo do Tempo Comum 11 de Setembro de 2011

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Tema do 24º Domingo do Tempo Comum 11 de Setembro de 2011
A Palavra de Deus que a liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum nos propõe fala do perdão. Apresenta-nos um Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida; e convida-nos a assumir uma atitude semelhante para com os irmãos que, dia a dia, caminham ao nosso lado.
O Evangelho fala-nos de um Deus cheio de bondade e de misericórdia que derrama sobre os seus filhos – de forma total, ilimitada e absoluta – o seu perdão. Os crentes são convidados a descobrir a lógica de Deus e a deixarem que a mesma lógica de perdão e de misericórdia sem limites e sem medida marque a sua relação com os irmãos.
A primeira leitura deixa claro que a ira e o rancor são sentimentos maus, que não convêm à felicidade e à realização do homem. Mostra como é ilógico esperar o perdão de Deus e recusar-se a perdoar ao irmão; e avisa que a nossa vida nesta terra não pode ser estragada com sentimentos, que só geram infelicidade e sofrimento.
Na segunda leitura Paulo sugere aos cristãos de Roma que a comunidade cristã tem de ser o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, do perdão. Ninguém deve desprezar, julgar ou condenar os irmãos que têm perspectivas diferentes. Os seguidores de Jesus devem ter presente que há algo de fundamental que os une a todos: Jesus Cristo, o Senhor. Tudo o resto não tem grande importância.




 
LEITURA I – Sir 27,33-28,9
Leitura do Livro de Ben-Sirá
O rancor e a ira são coisas detestáveis,
e o pecador é mestre nelas.
Quem se vinga sofrerá a vingança do Senhor,
que pedirá minuciosa conta de seus pecados.
Perdoa a ofensa do teu próximo
e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas.
Um homem guarda rancor contra outro
e pede a Deus que o cure?
Não tem compaixão do seu semelhante
e pede perdão para os seus próprios pecados?
Se ele, que é um ser de carne, guarda rancor,
quem lhe alcançará o perdão das suas faltas?
Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio;
pensa na corrupção e na morte,
e guarda os mandamentos.
Recorda os mandamentos
e não tenhas rancor ao próximo;
pensa na Aliança do Altíssimo
e não repares nas ofensas que te fazem.

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 102 (103)
Refrão: O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.
Não está sempre a repreender
nem guarda ressentimento.
Não nos tratou segundo os nossos pecados
nem nos castigou segundo as nossas culpas.
Como a distância da terra aos céus,
assim e grande a sua misericórdia para os que O temem.
Como o oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.

LEITURA II – Rom 14,7-9
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos:
Nenhum de nós vive para si mesmo
e nenhum de nós morre para si mesmo.
Se vivemos, vivemos para o Senhor,
e se morremos, morremos para o Senhor.
Portanto, quer vivamos quer morramos,
pertencemos ao Senhor.
Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou
para ser o Senhor dos vivos e dos mortos.

ALELUIA – Jo 13,34
Aleluia. Aleluia.
Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:
amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

EVANGELHO – Mt 18,21-35
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe:
«Se meu irmão me ofender,
quantas vezes deverei perdoar-lhe?
Até sete vezes?»
Jesus respondeu:
«Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei
que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo,
apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar,
o senhor mandou que fosse vendido,
com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía,
para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo:
‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo
deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros
que lhe devia cem denários.
Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo:
‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo:
‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não conseguiu e mandou-o prender,
até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena,
os seus companheiros ficaram muito tristes
e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse:
‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos,
até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste,
se cada um de vós não perdoar a seu irmão
de todo o coração».

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dois temas de actualidade na Igreja da Europa, Portugal, Diocese do Porto e Paróquia


Exortação apostólica pós-sinodal " Ecclesia in Europa" sobre Jesus Cristo, vivo na sua Igreja, fonte de esperança para a Europa
E Igreja em Portugal  -  Crises e Esperanças
 Conferência aos membros da Companhia de Jesus, Soutelo, 30 de Agosto de 2011 (esquema)
- Ou retomando um documento pouco “recebido” que, de facto, constitui a vários títulos como que uma nova “Gaudium et Spes” para o século XXI… Cf. João Paulo II – Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa sobre Jesus Cristo, vivo na sua Igreja, fonte de esperança para a Europa, 28 de Junho de 2003.

1. Prosseguindo uma reflexão que vem sendo feita nas últimas décadas, a exortação apostólica já conclui: “Em várias partes da Europa, há necessidade do primeiro anúncio do Evangelho: aumenta o número das pessoas não baptizadas, seja pela consistente presença de imigrantes que pertencem a outras religiões, seja também porque famílias de tradição cristã não baptizaram os filhos […]. Com efeito, a Europa faz parte já daqueles espaços tradicionalmente cristãos onde, para além duma nova evangelização, se requer em determinados casos a primeira evangelização A Igreja não pode subtrair-se ao dever dum corajoso diagnóstico, que lhe permita predispor as terapias mais oportunas. Mesmo no ‘velho’ continente existem extensas áreas sociais e culturais onde se torna necessária uma verdadeira e própria missio ad gentes (cf. Redemptoris Missio, nº 37)” (EE, nº 46).


2. No número seguinte, a exortação apostólica ilustra em três pontos maiores a actual situação europeia: falta de adesão concreta à pessoa de Jesus, dissolução da fé e desfundamentação dos valores: “… [1] Muitos baptizados vivem como se Cristo não existisse: repetem-se gestos e sinais da fé, sobretudo por ocasião das práticas de culto, mas sem a correlativa e efectiva aceitação do conteúdo da fé e adesão à pessoa de Jesus. [2] Em muita gente, as grandes certezas da fé foram substituídas por um sentimento religioso vago e pouco empenhativo; […] assiste-se a uma espécie de interpretação secularista da fé cristã que a corrói, suscitando uma profunda crise da consciência e da prática moral cristã. [3] Os grandes valores, que inspiraram amplamente a cultura europeia, foram separados, do Evangelho, perdendo assim a sua alma mais profunda e dando lugar a vários desvios (cf. nº 109: “Para dar novo impulso à sua história, a Europa deve reconhecer e recuperar, com fidelidade criativa, aqueles valores fundamentais, adquiridos com o contributo determinante do cristianismo, que se podem compendiar na afirmação da dignidade transcendente da pessoa humana, do valor da razão, da liberdade, da democracia, do Estado de direito e da distinção entre política e religião”)” (EE, nº 47).

3. Divisando uma “nova evangelização” da Europa,
poderemos tomá-la como a 5ª, se repararmos nos sucessivos impulsos que o cristianismo europeu foi conhecendo ao longo de dois milénios, em ligação com a sociedade e a cultura.
A 1ª foi dos “mártires",
a 2ª dos “monges”,
a 3ª dos “frades”,
a 4ª dos “missionários”.
A 5ª -A “nova” poderá juntar criativamente todas as outras, num contexto sóciocultural que assim o requer: novas testemunhas de Cristo e do sentido pascal da existência, reanimando as comunidades no oração e no serviço do próximo (= aproximando-se de todos).

4. É ainda com sugestões da Ecclesia in Europa que podemos esclarecer estes dois pontos da oração e do serviço. Quanto ao primeiro: “A Igreja, que acolhe esta revelação [de Deus e do sentido da história], é uma comunidade que reza. Ao rezar, escuta o seu Senhor e aquilo que o Espírito lhe diz (cf. Ap 2, 1-3.22); adora, louva, agradece, e também implora a vinda do Senhor: ‘Vem. Senhor Jesus!” (Ap 22, 16-20)” (EE, nº 66). Quanto ao segundo: “Para servir o Evangelho da esperança, é pedido também à Igreja na Europa que percorra a estrada do amor. Trata-se duma estrada que passa através da caridade evangelizadora, do empenho multiforme no serviço, da opção por uma generosidade sem tréguas nem confins” (EE, nº 83-84).

5. A presente “crise” dá uma particular urgência a este último ponto, que aliás constituiu o tema da primeira encíclica de Bento XVI. A experiência das últimas Jornadas Mundiais da Juventude, reforçou na generalidade dos que as viveram, particularmente os jovens, a conjugação da oração pessoal e comunitária com o acolhimento e o serviço.
Manuel Clemente
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Conferência na XXXIV Semana Bíblica Nacional, Fátima, 31 de Agosto de 2011

1. O tema que me deram define tanto a actualidade como a realidade permanente da Igreja de Cristo, entre a “crise” que a agita e a esperança que transporta, de si para o mundo.
Para não me dispersar numa exposição necessariamente breve, apresento-vos o resumo pessoal dum documento de trabalho da Conferência Episcopal Portuguesa, fruto de muitas contribuições de dioceses, institutos, movimentos e obras, tendo em vista “repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal”.
Elenco as “sombras” e as “luzes de esperança” apontadas nas referidas contribuições. O documento é de Abril passado e tem a vantagem de sumariar como nunca um vasto número de análises e sugestões da generalidade dos nossos quadrantes eclesiais.
 2. Quanto às “sombras” – outro modo de dizer pontos críticos -, apontam-se as seguintes, resumindo e mantendo geralmente a formulação :
1) A questão identitária, o divórcio entre fé e vida.
2) A perda da vocação missionária e do ardor evangelizador.
3) A falência dos actuais modelos de iniciação cristã e a falta duma oferta formativa, permanente e sistemática.
4) A não concretização duma Igreja onde todos tenham uma missão insubstituível a desempenhar.
5) A falta de alegria, entusiasmo e esperança, sem novos caminhos de evangelização e compromisso.
6) O ritualismo litúrgico, com celebrações distantes da vida e homilias extensas e tristes.
7) Uma Igreja envelhecida, a viver da pastoral de manutenção.
8) Uma Igreja muito clerical e sacramentalista, onde diminui a prática e os jovens se afastam, a acção se dispersa e as vocações escasseiam, sem capacidade para interpelar e propor credivelmente.
9) O individualismo nas expressões da fé, sem responsabilização eclesial.
10) A falta de rostos, modelos concretos e testemunhos públicos de fé cristã.
11) Uma linguagem hermética, que não facilita a relação com o mundo, e a ausência eclesial nos novos areópagos.
12) A dificuldade em ter espaço e presença nalguns meios de comunicação social.
13) O desânimo e o pessimismo de sacerdotes e agentes pastorais. 14) A crise de vocações de consagração.
15) A falta de agentes pastorais leigos.
16) A falta de harmonia de critérios pastorais.
17) O esquecimento da Doutrina Social da Igreja.
18) A desagregação do ambiente familiar, com a consequente perda do seu papel na transmissão da fé.
19) Algumas “sombras dispersas”, como a perda do sentido do Domingo, a fé tradicionalista e pouco esclarecida, a catequese entendida como “actividade extracurricular”, o envelhecimento dalguns grupos apostólicos, as romarias meramente turísticas…

3. Reconhecem-se, em contraponto, várias “luzes de esperança”: 1) A autenticidade de muitos cristãos comprometidos com o Evangelho no mundo e na Igreja.
2) A redescoberta da Palavra de Deus.
3) A valorização de momentos de verdadeiro encontro orante e sacramental com Cristo.
4) A maior atenção aos sinais dos tempos e ao diálogo com o mundo.
5) A procura de pontes de diálogo com a cultura.
6) O esforço de adaptação às novas linguagens e tecnologias da comunicação social.
7) O aumento de carismas e novas expressões eclesiais.
8) A partilha dos carismas religiosos com os leigos e a presença dos consagrados em âmbitos sociais significativos.
9) A preocupação com a qualidade, a competência e a beleza das iniciativas.
10) As celebrações de acontecimentos eclesiais de grande vitalidade, da visita do Papa ao Ano Paulino, ao Ano Sacerdotal ou às jornadas Mundiais da Juventude.
11) A promoção do diálogo ecuménico e inter-religioso.
12) A partilha e a solidariedade manifestadas por pessoas e instituições eclesiais, bem como a grande rede de acção social da Igreja.
13) Alguns caminhos de inovação, na conjugação dos vários movimentos e obras, na evangelização através dos meios de comunicação, etc.
14) A existência de orgãos de colegialidade e participação, como os sínodos e os conselhos.
15) O maior trabalho em rede.
16) A presença de sinais de Deus no mundo secularizado, como os santos, os mártires ou a mensagem de Fátima.
17) O número crescente dos participantes em peregrinações e outras manifestações de religiosidade popular.
18) A emergência de vocações laicais e a crescente participação de leigos na acção da Igreja.
19) O reconhecimento do papel da mulher na vida e estruturas da Igreja.
20) Algumas iniciativas de nova evangelização e de formação na missão e para a missão, como o ICNE de 2005 em Lisboa ou a Missão 2010 no Porto.

4. O documento de trabalho inclui também várias sugestões para o que intitula “empenho criativo, ardente e frutuoso na nova evangelização”, tema sobremaneira actual. Podemos resumi-las assim:
1) Assumirmo-nos como Igreja missionária e evangelizadora.
2) Evangelizar com ardor sobrenatural e força carismática.
3) Tornar visível o testemunho cristão: ousado, profético, belo, verdadeiro, coerente, misericordioso, santo…
4) Fazer da caridade a prioridade de todos os programas pastorais.
5) Dar precedência à intimidade com Deus: retiros, exercícios espirituais, lectio divina, encontros bíblicos e de formação cristã.
6) Cuidar da dimensão contemplativa das comunidades cristãs.
7) Valorizar a qualidade e a beleza das nossas acções.
8) Criar e valorizar espaços e momentos de encontro com Cristo vivo (Palavra, oração e sacramentos).
9) Dar espaço e voz aos movimentos e novas formas de vivência eclesial.
10) Insistir nos princípios da Doutrina Social da Igreja [dignidade da pessoa humana, bem comum, subsidiariedade e solidariedade] para a edificação duma sociedade nova.
11) Perscrutar os sinais dos tempos, em constante diálogo com o mundo.
12) Dialogar com a cultura.
13) Rever a linguagem e repensar a presença da Igreja na sociedade.
14) Estar presente na comunicação social, aproveitando as novas tecnologias.
15) Estar também nos “novos areópagos” e abrir o “átrio dos gentios”, com qualidade, fidelidade e criatividade.
16) Valorizar a identidade sacerdotal, à imagem de Cristo “Bom Pastor”.
17) Valorizar as estruturas de acolhimento e proximidade.
18) Formar pastoralmente para as novas problemáticas, como as dos divorciados, recasados, em união de facto e outras situações irregulares.
19) Comprometer mais dinamicamente as comunidades nos vários sectores da pastoral, interna ou externa.
20) Apostar na evangelização dos novos bairros e urbanizações, das grandes superfícies, das minorias e dos mais pobres.
21) Mobilizar mais, especialmente os jovens, para a participação social e as grandes causas da justiça e da paz.
22) Publicar documentos eclesiais simples, breves, espaçados, actuais e voltados para as realidades concretas das pessoas.
23) Pensar num projecto de nova evangelização de 3 ou 5 anos, para todas as dioceses.
24) Prestar atenção à universalidade, interculturalidade e inter-religiosidade na nova evangelização.
25) Aproveitar a religiosidade popular, as peregrinações e os santuários marianos como pontos de apoio providenciais para a nova evangelização.

5. Trata-se, fundamentalmente, de voltar a Cristo e progredir em Cristo, reconhecendo-O  pessoal e comunitariamente como o essencial do que nos define e projecta. Dizer “Cristo” (= Messias ou Ungido) é reconhecer Jesus nos precisos termos com que Ele mesmo se auto-proclamou na sinagoga de Nazaré, citando Isaías 61: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu, para anunciar a Boa Nova aos pobres…” (Lc 4, 18). E viver do mesmo Espírito, que com Ele nos faz “cristãos”, exactamente para a mesma obra evangelizadora e em expansão.
É muito interessante verificar como nas propostas feitas para a nova evangelização da nossa sociedade e cultura se acentuam as duas dimensões que identificam o próprio Jesus, em relação ao Pai e ao mundo, como intimidade e serviço, adoração e caridade.
No conjunto dessas sugestões, tanto se acentua a necessidade de partir de Deus e da relação com Cristo vivo como a urgência de manifestar Cristo ao mundo, através da acção pessoal e associada dos cristãos, certamente com aqueles “novo ardor, novos métodos e novas expressões” que João Paulo II requeria para a nova evangelização.
A alusão também feita aos novos carismas e à renovação dos mais antigos, bem como ao reconhecimento eclesial do seu papel e importância, relembra-nos a sucessiva emergência deles nas várias etapas evangelizadoras do cristianismo europeu e além dele. Se a
1ª evangelização foi sobretudo motivada pelos “mártires”, que testemunharam exemplarmente o sentido pascal da existência,
a 2ª foi a dos “monges”, sobretudo os cenobitas, que criaram uma sociabilidade nova, numa prioridade contemplativa que refundava a comunidade e a abria em hospitalidade;
a 3ª foi a dos “frades”, que colmataram as brechas sócioculturais abertas pelo mercantilismo renascente e deram à fraternidade espiritual e prática um fortíssimo impulso;
a 4ª foi a dos “missionários”, internos ou ultramarinos, que - até hoje - tanto refundaram ciclicamente as comunidades como as criaram de raiz em espaços de primeira evangelização.
A 5ª ou nova evangelização, que agora tanto urge e de também se divisa nas sugestões atrás elencadas, terá de sintetizar criativamente as diversas figuras das quatro anteriores: propostas “pascais” que, no acolhimento de Deus e dos outros, alarguem a fraternidade autêntica, a partir duma constante conversão a Cristo. Conversão que nunca deixe adormecer o seu corpo eclesial, nem lhe permita retroceder à mera religiosidade espontânea, que geralmente não vai além do círculo fechado “da terra, do sangue e dos mortos” e desconhece a liberdade para que 
Cristo nos libertou (cf. Gl 5, 1).
Manuel Clemente

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM
A liturgia deste domingo sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos que nos rodeiam. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.
A primeira leitura fala-nos do profeta como uma “sentinela”, que Deus colocou a vigiar a cidade dos homens. Atento aos projectos de Deus e à realidade do mundo, o profeta apercebe-se daquilo que está a subverter os planos de Deus e a impedir a felicidade dos homens. Como sentinela responsável alerta, então, a comunidade para os perigos que a ameaçam.
O Evangelho deixa clara a nossa responsabilidade em ajudar cada irmão a tomar consciência dos seus erros. Trata-se de um dever que resulta do mandamento do amor. Jesus ensina, no entanto, que o caminho correcto para atingir esse objectivo não passa pela humilhação ou pela condenação de quem falhou, mas pelo diálogo fraterno, leal, amigo, que revela ao irmão que a nossa intervenção resulta do amor.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Roma (e de todos os lugares e tempos) a colocar no centro da existência cristã o mandamento do amor. Trata-se de uma “dívida” que temos para com todos os nossos irmãos, e que nunca estará completamente saldada.
LEITURA I – Ez 33,7-9
Leitura da Profecia de Ezequiel
Eis o que diz o Senhor:
«Filho do homem,
coloquei-te como sentinela na casa de Israel.
Quando ouvires a palavra da minha boca,
deves avisá-los da minha parte.
Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’,
e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho,
o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade,
mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte.
Se tu, porém, avisares o ímpio,
para que se converta do seu caminho,
e ele não se converter,
morrerá nos seus pecados,
mas tu salvarás a tua vida».
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 94 (95)
Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,
não fecheis os vossos corações.
Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.
Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.
Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».

LEITURA II – Rom 13,8-10
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos:
Não devais a ninguém coisa alguma,
a não ser o amor de uns para com os outros,
pois, quem ama o próximo, cumpre a lei.
De facto, os mandamentos que dizem:
«Não cometerás adultério, não matarás,
não furtarás, não cobiçarás»,
e todos os outros mandamentos,
resumem-se nestas palavras:
«Amarás ao próximo como a ti mesmo».
A caridade não faz mal ao próximo.
A caridade é o pleno cumprimento da lei.
ALELUIA – 2Cor 5,19
Aleluia. Aleluia.
Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo
e confiou-nos a palavra da reconciliação.



EVANGELHO – Mt 18,15-20
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».